quarta-feira, 30 de novembro de 2011

lembranças *

Lembranças são como calçados novos. Às vezes nos apertam fortemente, mas por mais que nos machuquem, não queremos nos desfazer deles por sua beleza. Lembranças partem corações.
Ideal é que junto com cada partida, cada despedida e cada ida pudéssemos trocar de corações, renovar nossa mente e libertar todas as sensações para serem vividas como se nunca antes nada tivesse sido sentido.
Lembranças nos acorrentam ao passado. E isso dói.
Surradas, desgastadas, as lembranças param um pouco de apertar fortemente, porém ainda causam aquela sensação de perda, de nostalgia, assim, parecendo novamente com aqueles calçados, que depois de mais gastos, não machucariam tanto assim, mas talvez ainda pudesse ocasionar calos e pequenos incômodos.
Lembranças voltam para assombrar um futuro que deixou passado pendente. Presente não se identifica nessa briga entre o que já foi e o que está por vir.
Lembranças nunca nos deixam viver apenas o que está sendo vivido. Sempre fazem a carga maior, a expectativa mais gasta e os pés, preferencialmente descalços. Cansados de serem esmagados por tantas lembranças e sapatos surrados.

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